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Federações da Uefa articulam candidatura de oposição a Gianni Infantino na eleição da Fifa

Um movimento de insatisfação dentro do futebol europeu pode transformar a próxima eleição presidencial da Fifa em uma das mais disputadas dos últimos anos.

Segundo informações da rádio britânica talkSPORT, diversas federações ligadas à Uefa têm intensificado conversas para lançar um candidato de oposição a Gianni Infantino, que pretende buscar um terceiro mandato consecutivo no comando da entidade máxima do futebol mundial.

Até poucos meses atrás, o cenário apontava para uma nova reeleição sem adversários, repetindo o que ocorreu em 2019 e 2023. No entanto, o desgaste recente entre a Fifa e dirigentes europeus abriu espaço para a construção de uma candidatura alternativa.

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Cresce o descontentamento europeu com a gestão de Infantino

A relação entre Uefa e Fifa se deteriorou ao longo dos últimos meses, principalmente após uma série de divergências políticas e esportivas envolvendo decisões da entidade presidida por Infantino.

O episódio que mais aumentou a tensão aconteceu durante a Copa do Mundo de 2026. O caso envolvendo o atacante Folarin Balogun gerou forte reação nos bastidores após a suspensão do jogador ser revertida depois de uma ligação telefônica do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a Gianni Infantino.

A anulação da punição provocou indignação em diversas federações europeias e levou a Uefa a divulgar uma nota oficial acusando a Fifa de ter “cruzado uma linha vermelha” ao interferir em um processo disciplinar.

O episódio fortaleceu a percepção de que é necessário apresentar uma alternativa ao atual presidente da entidade.

Infantino tentará um terceiro mandato

Durante o Congresso da Fifa realizado em abril, Gianni Infantino confirmou que disputará um novo mandato à frente da entidade.

O dirigente suíço-italiano ocupa a presidência da Fifa desde 2016, quando sucedeu Joseph Blatter em meio à maior crise institucional da história da organização. Desde então, foi reeleito em duas oportunidades sem enfrentar qualquer concorrente.

Seu atual mandato termina em 2027, e as candidaturas para o próximo ciclo presidencial poderão ser registradas até 18 de novembro deste ano. A eleição está marcada para o dia 18 de março de 2027, em Rabat, no Marrocos.

Aleksander Ceferin é visto como nome forte, mas prefere permanecer na Uefa

Entre os possíveis candidatos, o nome mais citado é o de Aleksander Ceferin, presidente da Uefa desde 2016.

O dirigente esloveno possui prestígio político e grande influência dentro do futebol europeu, sendo considerado por muitas federações como o nome ideal para enfrentar Infantino.

Entretanto, segundo a talkSPORT, Ceferin não demonstra interesse em disputar a presidência da Fifa neste momento. Sua prioridade seria permanecer no comando da Uefa e buscar uma nova reeleição à entidade, desde que não surjam candidatos competitivos para sucedê-lo.

Nasser Al-Khelaifi ganha apoio de federações europeias

Outro nome que ganhou força nos bastidores é o de Nasser Al-Khelaifi, presidente do Paris Saint-Germain e da Associação de Clubes Europeus (ECA).

De acordo com a reportagem, federações como as de Bélgica e Polônia, além de outras associações filiadas à Uefa, estariam dispostas a apoiar uma eventual candidatura do dirigente catari.

Apesar disso, pessoas próximas a Al-Khelaifi afirmam que ele não tem interesse em entrar na disputa e precisaria ser convencido a concorrer.

Dariusz Mioduski surge como alternativa

Caso Al-Khelaifi opte por não disputar a eleição, cenário considerado o mais provável, a Federação Polonesa de Futebol pretende apoiar o empresário Dariusz Mioduski.

Proprietário do Legia Varsóvia, Mioduski passou a ser visto como uma alternativa viável entre dirigentes europeus.

Segundo a talkSPORT, representantes de Bósnia e Herzegovina, Noruega, Suécia, Alemanha e Espanha também discutiram a possibilidade de apoiar outros candidatos do continente, incluindo o dirigente polonês.

Victor Montagliani e Patrice Motsepe aparecem no radar

Fora da Europa, outros nomes são observados com atenção.

Um deles é Victor Montagliani, atual presidente da Concacaf. Pessoas próximas ao dirigente canadense afirmam que sua prioridade é buscar a reeleição na entidade continental, embora ele tenha o desejo de disputar a presidência da Fifa no futuro.

Outro dirigente citado é Patrice Motsepe, presidente da Confederação Africana de Futebol (CAF). No entanto, o sul-africano é considerado um aliado próximo de Infantino e dificilmente enfrentaria o atual presidente nas próximas eleições.

A expectativa é de que Motsepe espere até 2031, quando Infantino não poderá mais concorrer, para eventualmente buscar o comando da entidade com o apoio do dirigente suíço-italiano.

Apoio internacional ainda é o principal trunfo de Infantino

Embora exista um movimento crescente na Europa, o maior desafio da Uefa é construir uma coalizão global capaz de rivalizar com o atual presidente.

Propostas defendidas por Infantino, como a ampliação da Copa do Mundo para 64 seleções e a expansão da Copa do Mundo de Clubes, com possibilidade de realização a cada dois anos, encontram forte apoio entre federações da África, da Ásia e da Concacaf.

Por esse motivo, dirigentes europeus entendem que uma moção de desconfiança contra o presidente da Fifa dificilmente prosperaria neste momento.

A estratégia, portanto, é concentrar esforços na construção de uma candidatura competitiva para a eleição de 2027.

Pela primeira vez em anos, Fifa pode ter uma disputa presidencial

Desde que assumiu a presidência da Fifa, em 2016, Gianni Infantino nunca precisou enfrentar um adversário nas urnas.

Agora, pela primeira vez em mais de uma década, cresce nos bastidores do futebol internacional a possibilidade de uma disputa efetiva pelo cargo mais poderoso do esporte.

Com as candidaturas abertas até novembro e a eleição marcada para março de 2027, os próximos meses prometem intensificar as articulações políticas que podem redefinir o futuro da governança do futebol mundial.

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