Um dos grandes ídolos da história recente do Benfica, o brasileiro e ex-zagueiro Luisão, também utilizou as redes sociais para se manifestar sobre o ocorrido com Vini Jr. na partida do time português contra o Real Madrid, pela Champions League.
Vini Jr., aliás, marcou o gol da vitória no jogo, mas, na comemoração, sofreu insultos da torcida do Benfica e também do meia argentino Prestianni, que teria o chamado de “macaco” por cinco vezes, segundo Mbappé, que estava presente na situação. Diante disso, Luisão foi às redes sociais comentar o caso.
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O próprio ídolo do Benfica afirmou que também sofreu ofensas da torcida, em entrevista aos canais ESPN: “Nas redes sociais, eu fui ofendido, xingado de macaco, de Judas. Falaram: ‘Não pisa mais no estádio’, e a camisa do Benfica é a minha segunda pele. Eu fico triste por isso: até quando a gente se posiciona por uma coisa grave, gravíssima”, contou.
Em números, o brasileiro é recordista de títulos pelo clube, com 21 conquistas, e o segundo jogador com mais partidas oficiais na história do Benfica, com 538 jogos.
Confira o relato de Luisão:
Passei grande parte da minha vida no Benfica. Cresci como jogador, como homem e como capitão. Conquistei títulos, vivi noites inesquecíveis e defendi aquela camisola com tudo o que tinha. O Benfica é parte da minha história. E é exatamente por isso, e não apesar disso, que me sinto na obrigação de falar.
Nos últimos dias, me posicionei contra qualquer forma de racismo no episódio envolvendo Vini Jr. Não por nacionalidade, nem por polêmica, mas por princípio. Racismo não tem clube, não tem camisola, não tem lado. E não pode ser relativizado.
Tudo começou com uma comemoração, um gesto de alegria após um gol. E é preciso dizer o óbvio: dançar não é desrespeito, é expressão. O futebol sempre foi emoção. A alegria de uns é o lamento de outros. Sempre foi assim.
Grandes jogadores celebraram dançando: Cristiano, Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho… A dança nunca foi o problema. O que não pode ser aceitável é transformar uma comemoração em justificativa para ofensas racistas. Nada justifica isso. Nem provocação, nem rivalidade, nem o calor do jogo. Um estádio não é um território sem valores. O respeito continua a valer dentro dele.
Também fui alvo de ofensas, inclusive racistas, depois de me manifestar. Isso dói, mas não me fará recuar. Posso ter ignorado provocações desportivas ao longo da carreira, mas nunca me calarei diante da discriminação de uma minoria que não representa o clube que amo.
O Benfica tem uma história enorme, respeitada no mundo inteiro. Uma história maior do que qualquer episódio isolado. É isso que precisa prevalecer.
O meu amor pelo clube permanece intacto, assim como o respeito e a gratidão pelos seus adeptos. O meu apoio é inegociável, na Luz ou em qualquer estádio.
O futebol é paixão e intensidade. Mas, antes de tudo, é humanidade. E humanidade não admite racismo.
Que saiamos deste episódio melhores. Como clube, como adeptos, como sociedade. Porque jogos passam. Títulos passam. Mas caráter e valores ficam.
Com amor,
Luisão
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