A Vasconha chegou à arquibancada da torcida do Vasco da Gama para ficar e tem uma música cantada em momentos importantes do time de São Januário dizendo que, sem a maconha, o time não ganha. O sucesso se expandiu para além dos estádios e, aqui no Vale a Escrita do R10Score News, o movimento explica sua criação.
Vinicius, membro da Vasconha, topou participar e falar sobre o movimento. Ele também detalha a ajuda indireta do influenciador Cazé, hoje um dos maiores do Brasil e do mundo, na visualização da Vasconha.
Vasconha: A gente começou com um grupo de amigos. Ela surgiu a partir da amizade e de dois pontos em comum entre eles: o amor pelo Vasco da Gama e o uso recreativo da cannabis. Esse grupo foi crescendo, e a gente sempre se encontrava ali na antiga varanda sagrada de São Januário hoje, os camarotes. Passamos a fazer alguns churrascos e criamos um boné. Esse foi o nosso primeiro produto, De que vendemos até hoje e que a galera gosta muito.
O Cazé comprou, acho que foi em 2022, os direitos do primeiro campeonato que o Casimiro transmitiu. Ainda não existia a CazéTV; acho que foi direto no canal dele. Ele comentava um jogo em que o Vasco venceu por 2 a 0 em São Januário. Quando a partida acabou, foi numa época em que a torcida começou a cantar a nossa música mais alto, geralmente no fim do jogo, quando vence, com o grito da Vasconha.
Depois, na live que ele fazia à noite, nesse mesmo dia, ele usou o boné durante a transmissão. A Vasconha foi parar nos Trending Topics do Twitter. Acho que ali furou uma bolha e surgiu uma demanda muito grande pelo boné, que a gente não tinha como atender. Então tivemos que nos organizar e nos reunir para definir como atenderíamos a essa procura, que era enorme, com gente do Brasil todo.
Com a exposição a partir daquele dia, a Vasconha criou lojas online e passou a ter uma sede próxima ao estádio de São Januário. Aqui, eles detalham como são seus produtos.

Vasconha: A Vasconha virou empresa, passou a ter uma loja online e a gente começou a trabalhar também em dias de jogo. Além da loja virtual, montávamos uma barraquinha perto da entrada de São Januário para vender para a galera que ia às partidas. O projeto começou dessa forma e funciona assim até hoje, em dias de jogos, seja no Rio de Janeiro ou fora do estado.
A Vasconha não é uma torcida organizada; é uma marca, um movimento e também uma empresa. Portanto, nosso funcionamento é o de uma marca comum. Hoje em dia, temos uma loja física na Rua Ferreira de Araújo, número 29.
O movimento reafirma mais de uma vez que não é uma torcida organizada e explica como é seu comportamento nos jogos do Vasco.
Vasconha: Tem uma parte da torcida que entra na onda e costuma cantar, além de fazer postagens com a música da Vasconha durante e depois dos jogos principalmente após as vitórias.
Cara, eu não fazia ideia de que a torcida do Vasco da Gama tinha tanta gente disposta a cantar uma música falando de maconha. Confesso que acho difícil isso existir em outro time, pelo menos aqui no Brasil. E acho legal que a música da Vasconha tenha virado um tema de vitória. Você não vai escutá-la se o time estiver empatando, perdendo ou até mesmo vencendo uma partida difícil com um gol no final nesses casos, é bem mais raro.
Já escutei diversos relatos de pessoas que foram com os pais, já mais velhos, e jamais imaginariam que eles cantariam aquela música, mas cantaram e ainda deram risada. É um momento que descontrai o pessoal na arquibancada.
Embora a grande maioria da torcida do Vasco leve na esportiva, o debate sobre a utilização da maconha no Brasil ainda é pequeno. Aqui, o movimento explica qual é sua visão sobre isso e como pode ajudar nas discussões.
Vasconha: Particularmente, ainda acredito que a gente engatinha nesse assunto. Ele poderia se desenvolver com mais velocidade. Por outro lado, entendo que já ocorreram bons avanços, tanto na parte do uso recreativo quanto do medicinal. Recentemente, tivemos uma votação positiva do Supremo Tribunal Federal no sentido do porte e da descriminalização do uso recreativo. Também houve avanço da Anvisa, que autorizou e regulamentou o uso medicinal no Brasil.
São avanços consideráveis. Acho que devemos comemorar, mas ainda há muita coisa pela frente. Percebo uma desigualdade de abordagem: não sei se, dependendo do local, a mesma pessoa com 39 gramas de maconha seria tratada da mesma forma por agentes diferentes.
Acredito que precisamos estar sempre debatendo e cobrando para que esses avanços continuem. Lideranças políticas que apoiam a pauta já estiveram com vocês; às vezes temos conversas e debates com pessoas que têm esse tema na mesa. Embora a gente não divulgue, participamos, sim, desse tipo de discussão de maneira ativa. Esse diálogo existe.
No momento da entrevista, os jogos mais recentes do Vasco foram as derrotas para o Fluminense, na semifinal do estadual, e para o Santos, no Brasileirão. Diniz saiu e ainda não havia chegado outro treinador. O movimento fala sobre suas expectativas para a temporada.
Vasconha: Acredito que essa demissão demorou muito. Tenho receio de quando o Vasco tenta consertar o trem já descarrilhado, no meio do caminho. Fico preocupado com isso. Na minha opinião, deveriam ter demitido Fernando Diniz assim que perdeu a final da Copa do Brasil. Para mim, o trabalho dele já tinha se encerrado ali.
Ainda acredito que esse elenco tem condições de jogar mais do que vem jogando. Agora é acertar na escolha do técnico não pode haver erro. É preciso ser meticuloso e assertivo, porque não há mais tempo para ajustes. A expectativa é que chegue um treinador capaz de extrair o melhor desses jogadores.

Por fim, eles contam como é fazer parte da Vasconha, deixam um recado para quem quiser colar com o movimento e revelam um bastidor muito legal de uma ação realizada na loja física.
Vasconha: A Vasconha não é uma torcida organizada; é um movimento de amigos e, hoje, também uma marca e uma empresa. Não temos sócios nem integrantes. Qualquer pessoa que apoia o movimento já é Vasconha. Quem compreende o nosso propósito e gosta da ideia já é Vasconha.
Só para dar um exemplo: contei a história de um dos projetos que realizamos, a disponibilização de abafadores de ouvido na loja, em dias de jogo, para crianças com autismo e seus familiares. Eu trabalho na loja física. Recentemente, uma pessoa foi lá: não fuma maconha nem é torcedor do Vasco, mas soube do nosso projeto voltado às pessoas com autismo. Ele tinha um abafador em casa que não usava e decidiu levar até a loja. Chegou e disse: “Pô, cara, queria trazer isso aqui para vocês. Conheço o trabalho de vocês, acho bem legal e, como não uso mais, vou deixar aqui”.
Esse cara é Vasconha. Entende? Ele compreende o propósito.
Acompanhe a Vasconha nas redes sociais
Loja
https://www.lojavasconha.com.br
https://www.instagram.com/vasconhaofc
Mirante da Colina é uma parceria com a Vasconha
https://www.instagram.com/mirantedacolina
+ Confira todas as prováveis escalações dos jogos de hoje
+ Siga as redes sociais do R10 Score: Instagram, Twitter, Threads, Bluesky, Facebook e Linkedin.
+ Resultados ao vivo, estatísticas e análises completas: tudo isso você encontra no R10 Score. Baixe agora clicando aqui e não perca nenhuma informação sobre o seu esporte favorito!
Compartilhe!