Técnico do Bayern de Munique, Vincent Kompany se posicionou nesta sexta-feira sobre a acusação de racismo feita por Vinícius Júnior durante a partida entre Real Madrid e Benfica, na última terça-feira, pela Champions League. O atacante brasileiro afirmou ter sido chamado de “macaco” pelo argentino Prestianni.
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Em entrevista coletiva, o treinador belga saiu em defesa do jogador do Real Madrid e questionou duramente a postura adotada por José Mourinho após o confronto.
“Não foi uma reação fingida”
Kompany afirmou que a reação de Vinícius em campo demonstrou autenticidade e emoção, descartando qualquer possibilidade de encenação.
“Quando você analisa a jogada e como o Vini reagiu, essa reação não pode ser fingida. Dá para ver que foi uma reação emocional. Não vejo nenhum benefício para ele em ir até o árbitro e assumir toda a responsabilidade naquele momento. Ele fez o que achou que era certo”, declarou.
O brasileiro denunciou o caso ao árbitro durante a partida, o que levou à ativação do protocolo antirracismo da Uefa e à paralisação do jogo por alguns minutos.
Críticas a Mourinho e menção a Eusébio
Kompany também comentou a entrevista concedida por José Mourinho após a partida. O técnico do Benfica havia criticado a comemoração de Vinícius no gol da vitória do Real Madrid e afirmou que o clube não poderia ser associado ao racismo, citando Eusébio como maior ídolo da história da equipe.
Para o comandante do Bayern, a declaração foi inadequada.
“Para mim, o que aconteceu depois é ainda pior. José Mourinho basicamente atacou o caráter de Vini ao mencionar o tipo de comemoração dele para desmerecer o que ele estava fazendo naquele momento. Foi um erro enorme em termos de liderança”, afirmou.
O treinador também questionou o uso do nome de Eusébio no debate.
“Ele disse que o Benfica não pode ser racista porque o seu maior jogador de todos os tempos foi Eusébio. Ele sabe o que os jogadores negros tiveram que passar na década de 1960? Ele estava lá viajando com Eusébio para todos os jogos fora de casa para ver o que ele sofreu? Usar o nome dele hoje para discutir com o Vini…”, completou.
Voz ativa contra o racismo
Ex-zagueiro com passagem marcante pelo Manchester City, Kompany é um dos poucos treinadores negros na elite do futebol europeu. Levantamentos recentes apontam que apenas uma pequena parcela dos clubes das principais ligas do continente é comandada por técnicos negros.
O próprio belga já foi vítima de racismo. Em 2021, quando dirigia o Anderlecht, sofreu ataques vindos da torcida do Club Brugge durante uma partida do campeonato belga.
Ao se posicionar publicamente sobre o caso envolvendo Vinícius Júnior, Kompany reforça o debate sobre racismo no futebol europeu e a responsabilidade de líderes e instituições na condução de episódios como o ocorrido em Lisboa.
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