A Espanha é a campeã do mundo de 2026 e conquistou o bicampeonato, além de três títulos da Eurocopa nos últimos 18 anos, consolidando-se como a principal seleção desde a virada do século XXI. Em entrevista exclusiva ao site da FIFA, representantes do futebol espanhol explicaram o sucesso e, consequentemente, a sequência de títulos. Segundo eles, tudo é transmitido de geração em geração, desde as categorias de base.
E não é apenas no futebol masculino. A seleção feminina da Espanha também conquistou, nos últimos anos, a Copa do Mundo e a Eurocopa, além de manter viva a cultura do tiki-taka. Quem explica essa filosofia é Alexia Putellas.
“É claro que quanto mais vitórias espanholas houver, em qualquer esporte, melhor. Acho que uma das características que definem a Espanha é o esporte, os atletas que temos e os atletas que somos; quanto mais sucesso trouxermos para o país, melhor. Não é uma competição para ver quem ganha mais, quem ganha mais títulos; pelo contrário, todos remamos na mesma direção, que é fazer as pessoas felizes e orgulhosas de seus times e seleções nacionais“, revelou a jogadora.

“Sim, claro que me reconheço neles. É uma marca registrada do nosso país: jogar sempre da mesma maneira, seja qual for o contexto e o resultado. Pressionamos alto, mantemos a posse de bola e, a partir daí, criamos chances”, acrescentou a atleta, que também fez história pelo Barcelona.
O profissional David Gutiérrez e José Molina, que atuou como diretor esportivo da seleção masculina da Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) entre 2018 e 2022, afirmam que grande parte do sucesso da Espanha passa pelo trabalho do técnico Luis Aragonés. Foi ele quem comandou a conquista da Eurocopa de 2008, vencendo a Alemanha na final.

“Foi ele quem reconheceu o tipo de jogador que os clubes espanhóis estavam revelando e é, no fim das contas, de onde você precisa buscar seus talentos. Os jogadores são formados nos clubes e convocados para a seleção, e ele decidiu reunir esses atletas; foi aí que tudo começou para a seleção e para a federação. Como isso trouxe sucesso, iniciou-se um trabalho baseado nesse estilo de jogo”, afirmou Molina.
“Ele nos fez entender que, geneticamente falando, provavelmente não somos nem os mais rápidos nem os mais fortes, mas há algo em que nos destacamos, e que enfatizamos bastante na formação de treinadores: a compreensão do jogo coletivo”, completou Gutiérrez.
Uma das principais marcas da Espanha é a identidade de jogo. Independentemente dos resultados, a seleção manteve, ao longo dos anos, o mesmo estilo. O atual diretor esportivo da RFEF, Aitor Karanka, destacou a importância da formação dos treinadores para o sucesso espanhol.
“Desde muito cedo, os treinadores espanhóis graças a essa formação incutem uma compreensão do jogo que não se concentra apenas no desenvolvimento individual, mas também no aspecto coletivo. Existe uma metodologia que envolve jogos baseados na posse de bola e no desenvolvimento de habilidades, permitindo que o jogador espanhol, além de seu talento natural, compreenda a dinâmica da equipe desde cedo“, disse o dirigente.
Sucesso de treinadores da Espanha
Vale lembrar que a Premier League, da Inglaterra, conta com diversos treinadores espanhóis. No último campeonato, Mikel Arteta foi o campeão, enquanto Pep Guardiola, já fora do Manchester City, terminou na segunda colocação. Na Champions League, Luis Enrique, do PSG, é o atual bicampeão da competição. O sucesso da escola espanhola se espalha por toda a Europa.
“Se você olhar para a Premier League hoje, verá muitos treinadores espanhóis, e eles utilizam a nossa metodologia. Fui o primeiro técnico estrangeiro do Middlesbrough e, quando cheguei, precisei mudar o modelo, acostumando as pessoas a um estilo baseado na construção de jogadas, em vez dos cinco ou dez segundos que levavam anteriormente para chegar à área adversária”, explicou Aitor Karanka.
Por fim, os entrevistados destacaram o gol marcado por Pedro Porro contra a França, após uma longa troca de passes. O lateral-direito apareceu livre na área e finalizou para colocar a Espanha na decisão da Copa do Mundo.

“O gol de Pedro Porro contra a França, resultado de uma longa sequência de passes e movimentos precisos de todos os jogadores, ilustra bem esse ponto. Envolve uma combinação de passes e busca por espaços que seria impossível dentro de uma estrutura mais rígida. Nosso foco está em entender o jogo para que possamos correr muito, mas, acima de tudo, correr com eficiência e manter a posse de bola com um objetivo claro. Isso não é algo que nós, da atual comissão técnica, inventamos; é uma prática adotada pela Federação há anos, desde as categorias de base. Temos a sorte de contar com grandes clubes que buscam formar jogadores inteligentes e proativos“, concluiu David Gutiérrez, em entrevista à FIFA.
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