A Copa do Mundo de 2026 chegou ao fim, e a Espanha conquistou o bicampeonato mundial ao bater a Argentina de Lionel Messi na grande decisão. Os espanhóis dominaram o confronto do início ao fim e praticamente não permitiram chances aos argentinos. Após o torneio, é hora de reunir os números, analisar as táticas e entender quais foram as tendências utilizadas na competição, além das surpresas, decepções, entre outros destaques. O jornalista Leonardo Miranda, especializado e formado em análise de desempenho pela CBF, além de especialista em tática, falou com exclusividade ao R10Score sobre a competição.
Conhecida pelo seu tiki-taka, a Espanha triunfa novamente e, além da Copa do Mundo, também conquistou a Eurocopa de 2024, somando os dois principais títulos possíveis no ciclo.
Leonardo: Acho que tivemos duas tendências bem claras: a primeira é a volta da defesa no 4-4-2. Na Copa de 2014 e de 2018 falávamos muito de seleções no 3-5-2, com linha de cinco, e essa Copa do Mundo foi dominada por times jogando com duas linhas de quatro, fechando totalmente a casinha, num bloco baixo. A Espanha não conseguiu fazer um gol na estreante Cabo Verde, que jogou assim. Gana segurou a forte Inglaterra no 0 a 0 e avançou aos mata-matas, assim. O Paraguai eliminou a Alemanha e fez a França sofrer para vencer, desse modo. E o Brasil segurou a Noruega assim. A Gazzetta, jornal italiano, disse que os jogadores de hoje são mais altos, mais ágeis e mais velozes que os do passado, o que facilita o trabalho defensivo. Mas, de fato, vimos uma Copa do Mundo com times muito bons na defesa e muito bons no ataque.
Vejo também que, com a bola, o camisa 5 vem ganhando cada vez mais importância, porque, para furar blocos assim, só tendo um bom passe de trás. Basta ver os quatro semifinalistas: Declan Rice, Enzo Fernández, Rabiot e Rodri. Todos camisas 5 especialistas em jogar de trás.

O Mundial de 2026 pode ser definido como a Copa do Mundo dos craques, com Mbappé, Messi, Vini Jr., em certos momentos pelo Brasil, Harry Kane, Bellingham, entre outros. Assim, Leonardo analisa por que os astros se destacaram tanto e chamaram a responsabilidade.
Leonardo: Com a bola vimos um predomínio do futebol dos atacantes (por isso essa copa vem sendo chamada de “Copa dos Craques). Vendo os jogos, vemos que o atacante diferente consegue aproveitar os momentos que essas 2 linhas fechadas se desmontam. Por isso temos tantos ponteiros e tantos bons segundos atacantes sendo colocados como centroavantes, como Mbappé ou Julian.
Acho que é uma conversa: o time joga por eles e eles jogam para o time. Tirando a Argentina que tem o Messi, que é um jogador exceção, algo raro que não se repete e não deve ser contabilizado como tendência, todo craque ajudou o time. Até as quartas, o Mbappé liderava as corridas curtas (piques) na França. Harry Kane é fundamental na pressão inglesa. O mesmo com Oyarzabal. Penso que o futebol dos craques é mais consequência do amadurecimento de gerações: a francesa, a inglesa, a espanhola.

Os espanhóis conquistaram a Copa do Mundo, mas, além deles, os outros três melhores colocados no Ranking da Fifa também chegaram às semifinais. A Argentina ficou com o vice-campeonato, a Inglaterra terminou em terceiro lugar e a França ficou na quarta colocação. O jornalista explica quem, além deles, também teve grande desempenho.
Leonardo: Cabo Verde jogou de forma brilhante na Copa do Mundo. Foi melhor que todos os adversários, merecia ter vencido o Uruguai e até a Argentina. É uma seleção que vai ficar para a história. A Noruega foi muito bem quando teve o time titular. Depois dos 4 semifinalistas, essas realmente foram as melhores. Os Estados Unidos fizeram dois grandes jogos e deram a sensação que poderiam mais.
Eliminação do Brasil na Copa
O Brasil sucumbiu e foi superado pela Noruega ainda nas oitavas de final, sendo novamente eliminado por uma seleção europeia em Copas do Mundo. Por fim, Leonardo Miranda analisa como foi a participação brasileira.
Leonardo: Pensando num macro, tudo o que o Brasil fez da última Copa do Mundo para cá foi errado e não deu certo. Quatro técnicos, treinador anunciado e depois negando, pra depois assumir, um ciclo péssimo do Diniz, outro ciclo mediano com Dorival, a convocação absurda e vexatória do Neymar…

Pensando no micro, Ancelotti teve muitas dificuldades: perdeu 3 titulares: Wesley, Paquetá e Raphinha. Perdeu o único criador de meio-campo e o único ponta mais experiente, tido como muitos o melhor jogador do ciclo, que é o Raphinha. Bom treinador que é, buscou soluções com Rayan e Martinelli, o Brasil fez uma primeira fase boa e decepcionou muito contra Japão e Noruega. A segundo tempo contra a Noruega e as alterações que Ancelotti fez, a forma como geriu todo o jogo, foi desastrosa. Certamente está entre os piores jogos da carreira dele.
Penso que o Brasil sai dessa Copa do Mundo traumatizado e com lições. A principal delas, que é gerir melhor o ciclo, certamente deve ser aprendida por Ancelotti e toda a CBF.
Onde acompanhar o trabalho de Leonardo Miranda
https://ge.globo.com/blogs/painel-tatico
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