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Futebol de parada técnica? Criticada por Bielsa e Tuchel, pausa para hidratação é debatida por treinadores brasileiros, que analisam efeitos na tática e na dinâmica das partidas
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Futebol de parada técnica? Criticada por Bielsa e Tuchel, pausa para hidratação é debatida por treinadores brasileiros, que analisam efeitos na tática e na dinâmica das partidas

Futebol de parada técnica? Criticada por Bielsa e Tuchel, pausa para hidratação é debatida por treinadores brasileiros, que analisam efeitos na tática e na dinâmica das partidas Futebol de parada técnica? Criticada por Bielsa e Tuchel, pausa para hidratação é debatida por treinadores brasileiros, que analisam efeitos na tática e na dinâmica das partidas
Tuchel, com a Inglaterra e Marcelo Bielsa no Uruguai nesta Copa do Mundo de 2026 / Fotos: Getty images e Reuters

A Copa do Mundo de 2026 trouxe algumas mudanças no futebol e, assim como qualquer evolução, gerou debate. A pausa para hidratação, que dura entre 2 e 3 minutos, é uma delas. Marcelo Bielsa e Thomas Tuchel, técnicos de Uruguai e Inglaterra, reclamaram da medida. Enquanto isso, o astro Mbappé brincou e afirmou que reclamaria se o momento de sua seleção estivesse melhor. O R10Score News foi atrás de respostas, conversou com treinadores e ouviu o que eles acham da medida que interrompe as partidas.

As pausas ocorrem entre os minutos 20 e 25 do primeiro e do segundo tempo. Mesmo em estádios cobertos, sem muito calor, a medida foi mantida. O defensor da Holanda e ídolo do Liverpool, Virgil van Dijk, alega que a pausa faria sentido somente se estivesse muito quente, justamente o que não ocorre. Já Tuchel afirma que agora o jogo passou a ter o que ele chama de quatro tempos.

Thays: A Copa do Mundo sempre traz algo novo né, neste novo formato com 48 Seleções trouxe mais histórias emocionantes a nós apaixonados por futebol. A Seleção de Cabo Verde é talvez o maior exemplo até aqui. Ao mesmo tempo esta edição pelo extremo calor local trouxe 4 paradas visando a hidratação que soam exagero pois atrapalham o fluxo natural e INTENSO que é o jogo de futebol. Principalmente equipes mais intensas e competitivas historicamente.

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Afinal ninguém quer ficar assistindo o Messi, Kane, Olisie, bebendo água e sim fluindo no tempo normal.

Eu Thays, particularmente acredito que Seleções que tenham uma excelente equipe de analistas que consigam trazer informações precisas no momento da parada para hidratação, possam ajudar em algum ajuste tático e quem sabe mudar a história da partida. Torço para que nas próximas edições o tempo de jogo volte ao normal. No Futebol tudo é possível”, disse Thays, atualmente trabalhando com atletas em formação.

Pochettino com um notebook antes da Copa do Mundo e testando como seria a pausa / Foto: reprodução.

Seguindo a mesma linha de Thays, o técnico Thiago Larghi, com passagens por Atlético-MG, Goiás e Corinthians, na função de auxiliar, e que mais recentemente estava na Jordânia como auxiliar técnico, também elogiou a medida.

Thiago Larghi: Acho que está sendo positiva. Possibilita aos jogadores hidratarem e aos treinadores ajustarem o time, o que torna o jogo mais interessante. Um ponto importante na nova regra é que o tempo de reposição nos tiros de meta e nos arremessos laterais está sendo menor, isso torna o jogo mais intenso, exigindo mais dos jogadores. Claro que existe um apelo comercial nesse meio, mas que é parte do espetáculo. Então tenho achado essa pausa bastante válida.

Mudanças consideradas positivas no Futebol

Por sua vez, Leo Samaja, instrutor e coordenador dos cursos e licenças da ATFA (Núcleo Formativo autorizado pela AFA-CONMEBOL), adota linha semelhante à dos colegas de profissão e alega que é preciso parar de reclamar de toda mudança.

Samaja: Era tudo o que queriamos muitos treinadores, contar com alguns minutos para ajustes no meio do jogo. Este tipo de mudanças criam novas oportunidades que é necessário se preparar para tirar proveito delas. Altera a dinâmica do jogo uma parada técnica? Tudo irá depender do poder de concentração e estratégicas de reinicio de jogo. Temos a mania de reclamar de tudo antes de vivermos as experiências. Uma vez que vivemos elas, nos acostumamos e até as consideramos positivas com o tempo. Em minha opinião não altera a dinâmica do jogo e sim agrega ao produto.

Treinador com passagem pelas categorias de base de grandes clubes do futebol brasileiro, Luiz Eduardo também deu seu depoimento. Ele citou uma questão bastante importante, que são os comerciais. Como a Copa é disputada, em sua maior parte, nos Estados Unidos, o público local está acostumado com interrupções para publicidade em eventos esportivos.

Luiz: Aí eu acho que vem na discussão do objetivo final, né? Talvez o objetivo não seja o atleta. Seja a questão comercial, mas como vai fugir disso? O futebol gera milhões de reais, dólares. Com certeza, os caras usam isso, às vezes usam esse argumento para criar um aumento a mais de grana. Até que tem a regulamentação, né? Que pode ser 30 segundos no máximo, voltar um tempo antes do retorno. Então, assim, a gente vai puxar para um lado o que questiona. Mas, no final das contas, não tem como lutar contra isso, cara. É o esporte que está colocando isso e aproveitar, é um tempo a mais. Eu vejo como benefício, na real, cara.

Ancelotti em pausa com o time do Brasil, na estreia da Copa contra Marrocos / Foto: Getty images

É um tempo a mais para você ter contato que o futsal te permite isso e o campo não. Você fica 45 minutos esperando para falar só 15, só no intervalo. Você ganha mais oportunidade de ajustar o time, eu vejo como positivo.

Seguindo a linha dos colegas de beira de campo, o técnico Vinicius Nogueira, com passagens por Botafogo, Athletico-PR e Vitória, e que atualmente trabalha novamente com categorias de base, também elogiou a mudança, mas fez algumas ponderações. Assim como Luiz, ele também citou a questão comercial.

Vinicius Nogueira: Cara, primeiro que assim, né? Brincamos aqui num grupo nosso do WhatsApp que o futebol de base do Rio de Janeiro fez escola, né? Que é a parada técnica. Primeiro começa o futebol de base, depois o futebol profissional. E hoje a gente tem as paradas técnicas na Copa do Mundo.

Eu vejo alguns pontos aí a serem abordados. Primeiro, eu lembro quando a parada técnica surgiu, era muito mais por uma questão de verão ali, em relação à temperatura ambiente, para que os jogadores pudessem se hidratar de maneira adequada.

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E eu estava até conversando com um amigo meu. Eu falei assim, essas paradas técnicas aí eu queria que fosse como um futsal. Tivesse alguém ali minimamente filmando para saber qual é a real informação que o treinador está passando para o jogador. Já que a gente vive num mundo tão tecnológico hoje. E não, entra um monte de propaganda, um monte de comercial e a parada em si fica relegada a segundo plano. Então isso é algo que me chama a atenção também.

Eu gosto, não me incomoda. Porém, se ela não existisse também não seria algo que eu iria sentir falta, não. Eu acho que ela, numa situação de calor extremo, ela é muito mais benéfica do que quando está em uma temperatura ambiente adequada para que se tenha partida de futebol. Então o meu ponto é esse. Até onde realmente está sendo utilizada a parada técnica em benefício dos clubes, não, das seleções, no caso.

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