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Copa 2026: especialista analisa tendências táticas, o protagonismo dos craques e explica eliminação do Brasil

Copa 2026: especialista analisa as tendências táticas, o protagonismo dos craques, a eliminação do Brasil e explica o bicampeonato da Espanha Copa 2026: especialista analisa as tendências táticas, o protagonismo dos craques, a eliminação do Brasil e explica o bicampeonato da Espanha
EAST RUTHERFORD, NEW JERSEY - JULY 19: Rodri #16 of Spain lifts the FIFA World Cup Winner’s Trophy alongside U.S. President Donald Trump and FIFA President Gianni Infantino after the team’s victory following during the FIFA World Cup 2026 Final match between Spain and Argentina at New York New Jersey Stadium on July 19, 2026 in East Rutherford, New Jersey. (Photo by David Ramos/Getty Images)

A Copa do Mundo de 2026 chegou ao fim, e a Espanha conquistou o bicampeonato mundial ao bater a Argentina de Lionel Messi na grande decisão. Os espanhóis dominaram o confronto do início ao fim e praticamente não permitiram chances aos argentinos. Após o torneio, é hora de reunir os números, analisar as táticas e entender quais foram as tendências utilizadas na competição, além das surpresas, decepções, entre outros destaques. O jornalista Leonardo Miranda, especializado e formado em análise de desempenho pela CBF, além de especialista em tática, falou com exclusividade ao R10Score sobre a competição.

Conhecida pelo seu tiki-taka, a Espanha triunfa novamente e, além da Copa do Mundo, também conquistou a Eurocopa de 2024, somando os dois principais títulos possíveis no ciclo.

Leonardo: Acho que tivemos duas tendências bem claras: a primeira é a volta da defesa no 4-4-2. Na Copa de 2014 e de 2018 falávamos muito de seleções no 3-5-2, com linha de cinco, e essa Copa do Mundo foi dominada por times jogando com duas linhas de quatro, fechando totalmente a casinha, num bloco baixo. A Espanha não conseguiu fazer um gol na estreante Cabo Verde, que jogou assim. Gana segurou a forte Inglaterra no 0 a 0 e avançou aos mata-matas, assim. O Paraguai eliminou a Alemanha e fez a França sofrer para vencer, desse modo. E o Brasil segurou a Noruega assim. A Gazzetta, jornal italiano, disse que os jogadores de hoje são mais altos, mais ágeis e mais velozes que os do passado, o que facilita o trabalho defensivo. Mas, de fato, vimos uma Copa do Mundo com times muito bons na defesa e muito bons no ataque.

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Vejo também que, com a bola, o camisa 5 vem ganhando cada vez mais importância, porque, para furar blocos assim, só tendo um bom passe de trás. Basta ver os quatro semifinalistas: Declan Rice, Enzo Fernández, Rabiot e Rodri. Todos camisas 5 especialistas em jogar de trás.

Na função de “5”, Declan Rice, da Inglaterra, fez grande torneio / Foto: Getty images

O Mundial de 2026 pode ser definido como a Copa do Mundo dos craques, com Mbappé, Messi, Vini Jr., em certos momentos pelo Brasil, Harry Kane, Bellingham, entre outros. Assim, Leonardo analisa por que os astros se destacaram tanto e chamaram a responsabilidade.

Leonardo: Com a bola vimos um predomínio do futebol dos atacantes (por isso essa copa vem sendo chamada de “Copa dos Craques). Vendo os jogos, vemos que o atacante diferente consegue aproveitar os momentos que essas 2 linhas fechadas se desmontam. Por isso temos tantos ponteiros e tantos bons segundos atacantes sendo colocados como centroavantes, como Mbappé ou Julian.

Acho que é uma conversa: o time joga por eles e eles jogam para o time. Tirando a Argentina que tem o Messi, que é um jogador exceção, algo raro que não se repete e não deve ser contabilizado como tendência, todo craque ajudou o time. Até as quartas, o Mbappé liderava as corridas curtas (piques) na França. Harry Kane é fundamental na pressão inglesa. O mesmo com Oyarzabal. Penso que o futebol dos craques é mais consequência do amadurecimento de gerações: a francesa, a inglesa, a espanhola.

Mbappé encerrou o mundial com 10 gols anotados em 8 jogos. Foto: Getty images

Os espanhóis conquistaram a Copa do Mundo, mas, além deles, os outros três melhores colocados no Ranking da Fifa também chegaram às semifinais. A Argentina ficou com o vice-campeonato, a Inglaterra terminou em terceiro lugar e a França ficou na quarta colocação. O jornalista explica quem, além deles, também teve grande desempenho.

Leonardo: Cabo Verde jogou de forma brilhante na Copa do Mundo. Foi melhor que todos os adversários, merecia ter vencido o Uruguai e até a Argentina. É uma seleção que vai ficar para a história. A Noruega foi muito bem quando teve o time titular. Depois dos 4 semifinalistas, essas realmente foram as melhores. Os Estados Unidos fizeram dois grandes jogos e deram a sensação que poderiam mais.

Eliminação do Brasil na Copa

O Brasil sucumbiu e foi superado pela Noruega ainda nas oitavas de final, sendo novamente eliminado por uma seleção europeia em Copas do Mundo. Por fim, Leonardo Miranda analisa como foi a participação brasileira.

Leonardo: Pensando num macro, tudo o que o Brasil fez da última Copa do Mundo para cá foi errado e não deu certo. Quatro técnicos, treinador anunciado e depois negando, pra depois assumir, um ciclo péssimo do Diniz, outro ciclo mediano com Dorival, a convocação absurda e vexatória do Neymar…

Brasil foi superado pela Noruega ainda nas oitavas de final / Foto: Divulgação/NFF

Pensando no micro, Ancelotti teve muitas dificuldades: perdeu 3 titulares: Wesley, Paquetá e Raphinha. Perdeu o único criador de meio-campo e o único ponta mais experiente, tido como muitos o melhor jogador do ciclo, que é o Raphinha. Bom treinador que é, buscou soluções com Rayan e Martinelli, o Brasil fez uma primeira fase boa e decepcionou muito contra Japão e Noruega. A segundo tempo contra a Noruega e as alterações que Ancelotti fez, a forma como geriu todo o jogo, foi desastrosa. Certamente está entre os piores jogos da carreira dele.

Penso que o Brasil sai dessa Copa do Mundo traumatizado e com lições. A principal delas, que é gerir melhor o ciclo, certamente deve ser aprendida por Ancelotti e toda a CBF.

Onde acompanhar o trabalho de Leonardo Miranda

https://ge.globo.com/blogs/painel-tatico

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