A disputa envolvendo o controle da SAF do Botafogo ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira. O empresário John Textor, ex-gestor do futebol alvinegro, ingressou na Justiça do Rio de Janeiro com uma ação contra a Eagle Bidco, empresa que atualmente administra os ativos ligados ao grupo multiclubes criado por ele.
Na petição, à qual o ge teve acesso, Textor argumenta que a transferência das ações da SAF do Botafogo de sua pessoa física para a Eagle Bidco nunca foi concluída de forma válida, já que os termos financeiros previstos no acordo não teriam sido cumpridos.
Com base nesse entendimento, a defesa do empresário sustenta que 90% das ações da SAF ainda pertencem a John Textor e não à Eagle Bidco. Dessa forma, segundo os advogados, a empresa não teria legitimidade para negociar ou vender a participação acionária do clube para um novo investidor.
Disputa gira em torno de pagamento previsto em contrato
O centro da controvérsia está em um acordo firmado em novembro de 2022, quando foi estruturada a aquisição da SAF botafoguense.
De acordo com os representantes jurídicos de Textor, a transferência das ações para a Eagle estava condicionada ao pagamento de aproximadamente R$ 150,3 milhões ao empresário. A defesa afirma que esse valor jamais foi quitado, o que impediria a conclusão definitiva da operação.
Embora Textor fosse o controlador da Eagle na época da assinatura do contrato, seus advogados argumentam que a responsabilidade pelo pagamento caberia a outros acionistas da empresa, conforme previsto nos documentos originais da transação.
A alegação é utilizada como principal fundamento para contestar a atual situação societária da SAF.
Empresário tenta barrar possível venda da SAF
Segundo a ação protocolada na Justiça, Textor tomou conhecimento de que a Eagle Bidco estaria conduzindo negociações para a venda da SAF do Botafogo, mesmo sem ter concluído integralmente as obrigações previstas no contrato.
Diante desse cenário, os advogados solicitaram uma medida cautelar para que a Justiça registre formalmente o protesto do empresário contra qualquer tentativa de alienação das ações que ele considera ainda serem de sua propriedade.
Na prática, a iniciativa busca criar obstáculos jurídicos para uma eventual venda da SAF enquanto a disputa sobre a titularidade das ações não for solucionada.
Carta enviada à administradora judicial da Eagle
Além da ação judicial, a equipe jurídica de Textor encaminhou uma carta à Cork Gully, empresa responsável pela administração judicial da Eagle Bidco.
No documento, os advogados afirmam que, caso a Justiça reconheça os argumentos apresentados pelo empresário, uma das consequências possíveis seria a rescisão do contrato de compra e venda da SAF firmado em 2022.
Outra hipótese levantada pela defesa é a declaração de nulidade do acordo, o que provocaria uma reviravolta significativa na estrutura societária do Botafogo e abriria um novo cenário para o futuro do clube.
Textor virá ao Rio para reuniões
Em meio ao impasse, John Textor tem viagem prevista ao Rio de Janeiro neste fim de semana. O empresário deverá participar de reuniões com integrantes do Botafogo associativo, que também foi formalmente comunicado sobre a ação judicial.
Os encontros devem servir para discutir os desdobramentos da disputa e as possíveis consequências para o futuro da SAF alvinegra, que vive um momento de indefinição em relação ao seu controle acionário.
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