A briga envolvendo UEFA e FIFA ganhou novos contornos nesta quinta-feira (30). Afinal, as 55 federações filiadas à entidade europeia concordaram, em uma reunião de emergência, em boicotar as competições organizadas pela maior entidade esportiva do mundo. Isso ainda está relacionado ao projeto do presidente Gianni Infantino de criar uma empresa para administrar os ativos comerciais da FIFA.
Com isso, a decisão mais recente representa uma ação contrária à medida da FIFA e foi uma das que mais chamou atenção no mundo. Em outros momentos, UEFA e FIFA já protagonizaram discussões, mas essa é, de fato, a de maior impacto, com a possibilidade de as seleções europeias não atuarem em competições sediadas pela entidade máxima do futebol. A FIFA pretende lançar a FIFA Forward Enterprise (FFE), subsidiária responsável por concentrar os direitos comerciais, de transmissão, patrocínio, licenciamento e operação dos torneios da entidade.
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Desse modo, a intenção é que a FIFA mantenha o controle da governança do futebol e que o projeto dependa da aprovação das associações nacionais. Se o boicote for aprovado, a Copa do Mundo perderia seleções como Inglaterra, França, Espanha, Alemanha, Itália e Portugal. Entre outras, também estariam Croácia, vice-campeã em 2018, e Noruega, que eliminou o Brasil na edição mais recente.
Por parte da UEFA, foi convocada uma reunião para classificar o projeto de Infantino como uma medida que “ultrapassa uma linha que as entidades do futebol jamais deveriam cruzar”. Os europeus também classificam a atitude da FIFA como falta de transparência na elaboração da proposta e afirmam que ela foi apresentada sem consulta prévia aos demais envolvidos.
Pronunciamento na íntegra da UEFA
“A UEFA e suas 55 associações-membro estão unidas. Rejeitamos, de forma unânime e inequívoca, a proposta da FIFA de transferir participações na propriedade da Copa do Mundo e de outras competições da FIFA para investidores privados.
A Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento. Ela é um dos maiores legados esportivos do futebol. Foi construída ao longo de gerações por jogadores, seleções nacionais e torcedores de todos os continentes. Nenhuma parte dela deve jamais ser entregue a investidores privados. A Copa do Mundo não está à venda.
É irresponsável e indefensável que uma proposta de tamanha importância para o futebol tenha sido concebida em segredo e levada à iminência de aprovação sem qualquer consulta significativa àqueles encarregados de zelar pelo esporte. Isso não é apenas uma falha profunda de liderança, mas uma abdicação do dever da FIFA como guardiã do futebol mundial.
Associações nacionais de todo o mundo deparam-se agora com um ultimato: aceitar a apropriação irreversível das maiores competições do futebol ou arcar com as consequências. Isso não é uma “decisão democrática”, mas uma governança baseada na intimidação — um ato de coerção indigno de uma instituição encarregada de zelar pelo esporte global.
No entanto, nossa oposição vai muito além da questão do processo.”
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