Brasil e França fazem nesta quinta-feira (26) de março mais um capítulo de uma das maiores rivalidades entre seleções, em partida amistosa visando o Mundial deste ano. Nas Copas, levaram a melhor os brasileiros em 1958, com show de Pelé e companhia. No entanto, os franceses viraram pedra no sapato e venceram nas edições de 1986, 1998, na grande final, e 2006, último Mundial de Zidane, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, entre outros. E uma revista brasileira já dava sinais daquele desastre.
A Placar, uma das mais tradicionais revistas do Brasil, ilustrou em duas capas, naquele mesmo ano de 2006, que o quarteto Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo e Adriano não poderia jogar junto. O motivo era claro: entre eles, apenas Kaká ainda tinha capacidade de contribuir com a marcação. O Bruxo já não exercia a mesma função de 2002, afinal, havia se tornado a grande estrela da equipe, após ser eleito o melhor do mundo por duas temporadas seguidas, enquanto o Fenômeno e o Imperador estavam acima do peso e, mesmo ofensivamente, deixaram a desejar.
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Fred pedia espaço, mas foi pouco utilizado por Parreira. O time de muito sucesso entre 2004 e 2005 não contava com Ronaldo nas conquistas da Copa América e da Copa das Confederações. Outro nome que surgia era o de Robinho. A segunda capa de destaque mostrava Dida, além dos laterais Cafu e Roberto Carlos. Os dois últimos estavam em baixa em seus clubes e na seleção. Pediram passagem e fizeram grande Copa das Confederações, Cicinho e Gilberto.
Roberto Carlos, aliás, não era o mesmo de outros anos e sofria na marcação. O gol de Henry, da França, ficou marcado pelo fato de o lateral estar ajeitando o meião, o que virou piada no Brasil. No entanto, Dida também poderia ter feito algo melhor, já que não saiu do gol na pequena área. A equipe brasileira foi dominada pelos franceses, com Zidane desfilando em campo.
Ainda assim, Parreira levou para aquele Mundial, e manteve como titulares, atletas em baixa, jogadores que foram apenas pelo nome e outros que poderiam ter sido mais utilizados, como Juninho Pernambucano, então no Lyon, da França. Com isso, a campanha do Brasil até a eliminação foi:
Fase de grupos
Brasil 1 x 0 Croácia
Brasil 2 x 0 Austrália
Brasil 4 x 1 Japão (melhor jogo da equipe, com vários reservas)
Oitavas de final
Brasil 3 x 0 Gana (placar enganoso, já que os ganeses criaram muitas chances)
Quartas de final
França 1 x 0 Brasil – o jogo
Parreira demorou a agir. Sacou Adriano e colocou Juninho Pernambucano, buscando mais organização ofensiva. No entanto, o ídolo do Vasco foi pouco produtivo com a bola e teve sua principal chance em cobrança de falta, que desviou na barreira e passou por cima do gol francês.
A França, nos primeiros minutos, tentou acionar Henry em duas ou três oportunidades, com passes de Zidane, mas sem sucesso. O primeiro tempo teve poucas chances claras. O destaque ficou por conta de Juan, que recebeu cartão amarelo ao parar um ataque promissor de Henry.

Na etapa final, os franceses cresceram, e Zidane passou a comandar o jogo com dribles, giros e passes precisos. Foi dele a cobrança de falta que resultou no gol de Henry.
Houve falha conjunta de Roberto Carlos, que não acompanhou a marcação, e de Dida, que permaneceu estático no lance.
Parreira foi vaiado pelos brasileiros, com o áudio captado na transmissão da FIFA evidenciando a reação. Durante o jogo, ele promoveu novas mudanças: tirou Juninho Pernambucano para a entrada de Adriano, e depois sacou Cafu e Kaká, colocando Cicinho e Robinho. Apenas aos 45 minutos, Ronaldo Fenômeno deu o único chute a gol do Brasil em toda a partida, finalizando no meio do gol e facilitando a defesa de Barthez.
Pelo lado francês, além de Zidane e Henry, protagonistas do gol, Ribéry teve grande atuação, assim como Vieira. Já o lateral Sagnol encontrou dificuldades na marcação, mas sem comprometer.

Na sequência, a França, que havia eliminado a Espanha antes de enfrentar o Brasil, superou Portugal na semifinal, mas acabou derrotada pela Itália na decisão, no último jogo da carreira de Zidane.
Enquanto isso, o Brasil iniciava um jejum que hoje chega a 24 anos sem títulos mundiais. Para muitos, a derrota de 2006 foi uma das mais amargas, comparável à eliminação de 1982 diante da Itália.
A Copa do Mundo de 2006 foi realizada na Alemanha, que terminou na terceira colocação ao vencer Portugal. A seleção portuguesa ainda contava com Figo, enquanto Cristiano Ronaldo disputava seu primeiro Mundial. Pelo lado alemão, nomes como Lahm e Klose estavam presentes e, anos depois, conquistariam o título no Brasil, em 2014.
Elenco do Brasil em 2006
Goleiros – Dida (Milan, Itália), Rogério Ceni (São Paulo, Brasil) e Júlio César (Inter de Milão, Itália).
Laterais – Cafu (Milan, Itália), Cicinho (Real Madrid, Espanha), Roberto Carlos (Real Madrid, Espanha) e Gilberto (Hertha Berlin, Alemanha)
Zagueiros – Lúcio (Bayern de Munique, Alemanha), Luisão (Benfica, Portugal), Juan (Bayer Leverkusen, Alemanha) e Cris (Lyon, França)
Meio-campistas – Émerson (Juventus, Itália), Zé Roberto (Bayern de Munique, Alemanha), Edmílson (Barcelona, Espanha), Juninho Pernambucano (Lyon, França), Gilberto Silva (Arsenal, Inglaterra), Ricardinho (Corinthians, Brasil), Kaká (Milan, Itália) e Ronaldinho Gaúcho (Barcelona, Espanha).
Atacantes – Ronaldo (Real Madrid, Espanha), Adriano (Inter de Milão, Itália), Robinho (Real Madrid, Espanha) e Fred (Lyon, França).
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